Trabalhadoras da iniciativa privada vivem a ansiedade de saber se a empresa adotará licença de 6 meses, prevista para vigorar em 2010
Brasília – Grávida de sete meses, a vendedora Luzimária Dias Borges, 23, torce para que a loja onde trabalha cumpra, em 2010, a lei nº 11.770, que prevê a licença-maternidade estendida de seis meses.
Sancionada pelo presidente Lula em 2008, a legislação é optativa tanto para as estatais quanto para a iniciativa privada. O texto, que entra em vigor no próximo ano no caso dos empresas particulares, estabelece que o empregador que conceda às funcionárias mais dois meses de benefício possa descontar do Imposto de Renda (IR) o valor integral pago de salário durante esse período. Os quatros meses continuariam sendo custeados pela Previdência Social. Apesar de o Orçamento Geral da União (OGU) ainda não ter sido aprovado, o relator, deputado Geraldo Magela (PT-DF), confirmou que há cerca de R$ 960 milhões reservados, no caso de todas as empresas particulares decidirem aderir à iniciativa.
Moradora de Santa Maria, região administrativa próxima a Brasília, Luzimária acha que as trabalhadoras da iniciativa privada também merecem ser beneficiadas. “É mais que justo. Se a minha empresa adotar isso, vai ser muito bom. Quem trabalha no comércio não tem tempo de amamentar direito”, opina ela, que já é mãe de Letícia, de 4 anos. “Quando ela nasceu, nem tive direito à licença porque não tinha carteira assinada”, lembra. “Mas como é opcional, acho difícil eles me darem a licença de seis meses”, arrisca. Mesmo com o pessimismo, Luzimária não esconde a satisfação em poder ficar mais perto de Luíza, que deve nascer em meados de fevereiro. “Espero poder amamentá-la pelos seis meses, pois cumpro uma jornada diária de oito horas”, observa.
Defensor da licença-maternidade de 180 dias, o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Dioclécio Campos Júnior, apresentou argumentos científicos e sociais ao benefício. “Nos seis primeiros meses de vida, o cérebro da criança aumenta quase 13g por dia. Depois desse período, esse crescimento cai para cerca de 300mg diários. E para um desenvolvimento saudável do bebê, é necessário uma nutrição ideal qualitativa e quantitativamente. E nesse quesito, o leite materno ganha disparado. Além de uma alimentação saudável, os pequenos precisam do estímulo da voz materna”, explica.
Benefícios – A lei pode melhorar o desenvolvimento de aproximadamente 3 milhões de crianças que nascem a cada ano no país, segundo o Ministério da Saúde. “A presença integral da mãe ou do pai nos seis primeiros meses de vida é fundamental para que esse desenvolvimento seja correto.” Os já conhecidos benefícios do leite humano – proteção contra doenças e redução de enfermidades como hipertensão, diabetes e até linfomas – são somados aos outros pontos positivos, como o contato da criança com os pais. “A licença ampliada garante também toda a estimulação à criança. A criação do núcleo de apoio familiar, do aconchego, do amor, do afeto que são os estímulos que vão formar a personalidade do futuro cidadão. Portanto é um ganho incalculável”, afirma.
Fonte: Diário de Pernambuco, 15/12/2009